Aquele beijo que eu te dei (Por Renata Mofatti)

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Amor, essa palavra que pode acontecer todos os dias em sua vida comum onde qualquer semelhança talvez não seja mera coincidência.

 “… Aquele beijo que eu te dei, nunca, nunca mais me esquecerei…” Trecho de uma canção da Jovem Guarda, a melodia não poderia ter caído em melhor hora quando penso na cena do beijo entre Félix e Nico (Carneirinho), ou se preferir, entre os atores Matheus Solano e Thiago Fragoso.

Desnecessário dizer que a repercussão do fato, a cena inédita que gerou aplausos e também indignação trouxe muito mais do que questionamentos inflamados, mas também quebrou paradigmas.

Muito mais do que uma cena inédita em novelas da TV Globo, o beijo em si foi uma exposição de um carinho e amor que foram crescendo na reconstrução até mesmo do caráter de alguém, como por exemplo, o ex vilão Félix que foi aprendendo aos poucos a amar e ser amado e teve uma nova chance para isso.

A novela “Amor à Vida” mostrou que nada é para sempre. Vilão não é só vilão, mocinhas também ficam de TPM e viram “o cão” quando são magoadas, uma piriguete ama de verdade, a fama passa, autistas amam literalmente “do seu jeito”, o dinheiro nem sempre traz felicidade, vinganças podem dar certo, mas as consequências são desastrosas e ninguém é “soberano” para sempre, nem mesmo o médico “Papi” César, o traidor traído “babão” da novela.

Não sou tão noveleira assim. Gosto de entretenimento… Por isso livros, filmes e novelas estão no meu dia a dia e foi interessante acompanhar as mudanças de status, de humor e caráter das personagens desse enredo.

Mas de todas essas coisas que se passaram pelos capítulos dessa novela que até certo ponto foi bem chata, se não fosse a atuação de Matheus Solano que segurou o ibope, o que ficou na memória foi a cena do beijo e a cena do aperto de mão ao final.

Beijo gay? Não concordo com o termo. Aquilo foi um beijo e ponto final. Aperto de mão? Não concordo. Aquilo foi a tão esperada aceitação do amor de um pai. Ao contrário de tantos finais clichês, essa novela não terminou em casamento… Ela terminou com três cenas legítimas de amor: o nascimento de um bebê, o beijo entre duas pessoas que se amam e a declaração de um filho para o pai e de um pai para o filho.

Tudo natural! Sem rótulos! Sem maquiagens ou estratégias! O nome disso: Amor, essa palavra que pode acontecer todos os dias em sua vida comum onde qualquer semelhança talvez não seja mera coincidência.

TEXTO: Renata Mofatti

 

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