História de Mimoso

A Festa, o Show Acrobático, a Tragédia

Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2024 às 00:57

Por Redação in Foco

Parquedista em céu Mimosense

 

Por: Renato Pires Mofati
Colaboração: Gerson França

Muitas pessoas não sabem, mas a mudança na data de nossa festa, se deve ao fato de que o mês de julho é carregado de uma data superticiosa. O município de Mimoso do Sul antes do ano de 1962, brindava a todos com sua festa sempre num final de semana, exatamente no meio do mês e naquele ano o dia 15 (Domingo auge da festa) anunciava antes a tal sexta-feira 13.

Deste feito a comunidade católica que era responsável pela organização das festividades e que tinha e tem São José como Padroeiro da cidade, resolveram antecipar propositalmente a data, ficando então para o 2º final de semana daquele mesmo mês de julho, consequentemente dias 06, 07 e 08.

Como era de costume, dias antes a organização da festa distribuía na cidade sua vasta programação e isso era aguardado com muita ansiedade por todos! E naquela manhã de domingo auge da festa, nossa praça central, recebia desde as primeiras horas inúmeras pessoas, que buscavam um melhor posicionamento em bancos, sob marquises, embaixo de árvores, em fim, um lugar privilegiado para assistirem as apresentações em momento cívico das Bandas Marciais da Polícia Militar Lira e Apolo de Campos –RJ, depois a seguir as tradicionais corridas rusticas, de bicicleta e por fim o desfile escolar.

Desfile da Banda da polícia Militar em Mimoso dia da Festa

Desfile da Banda da polícia Militar em Mimoso dia da Festa

Naquele mesmo domingo a tarde, a festividade ficava por conta das eletrizantes partidas de futebol entre os eternos rivais: Independente Atlético Clube X Sport Club Ypiranga, desta vez a partida seria realizada no Estádio Cel Paiva Gonçalves (Campo do Ypiranga). Antes porém como aperitivo da tão esperada partida, as atenções se voltavam para o nosso céu, que tinha como destaque o som de um monomotor que a grande altitude circulava sobre a cidade. Seria então o momento do show acrobatico com salto dos destemidos paraquedistas, realizado pela expedição “Icaros Modernos” que era do Exército Brasileiro. Mesmo fazendo parte da programação da festa, o prefeito na época Dr. Olímpio José de Abreu, tentou evitar a perigosa exibição, mas não conseguiu, porque dois dos paraquedistas eram filhos de Mimoso e insistiram na exibição. O fundamento do Dr. Olímpio de impedir tal façanha era que a cidade é encravada em uma região montanhosa e que sequer tinha um campo de pouso…

A Cruz marca exatamente o local da queda (Sítio Chafariz, Pombal)

A Cruz marca exatamente o local da queda (Sítio Chafariz, Pombal)

 

Mas, não havia outra forma, e o avião a vista de todos, já se preparava para o salto do primeiro paraquedista o destemido e experiente 2º Sargento do Exécito e antigo membro do corpo de paraquedistas Sr. Geraldo Gomes Vidal, e num intervalo de 03 minutos após o primeiro salto o Mimosense Valdir Piedade Cardoso saltaria a seguir, e assim o outro Mimosense, e o alvo certeiro seria atingir ali mesmo no centro do gramado do campo, para satisfação de todos os presentes e glória dos destemidos paraquedistas!

Aqui morreu o Paraquedista Geraldo Vidal, em  08.07.1962

Aqui morreu o Paraquedista Geraldo Vidal, em 08.07.1962

E a cidade parou e olhou para o céu… E de dentro do avião a grande altitude um corpo saltou… Aquele minúsculo ponto no céu descia em grande velocidade, populares sobressaltados aguardavam o momento exato da abertura do paraquedas, e mais… E mais… Cada vez mais aquele mesmo ponto ganhava velocidade, e o tempo passava rápido, muito rápido!!

Mas o que se viu foi uma imagem assustadora! Tomando uma linha reta em vertical aquele ainda pequeno ponto vinha acompanhado de um rastro, uma mancha feito rabiola… Iniciando assim um movimento giratório e continuo em aspiral como um parafuso, e a partir daí a velocidade diminuiu quando parelhou-se com o morro onde atualmente encontra-se o Monumento ao Cristo Redentor, que na época não existia… E desapareceu por de trás do morro de nosso cemitério local! Pessoas apavoradas olhavam para o céu e o avião tomou a direção novamente de onde o paraquedista saltou! E rapidamente baixou a altitude… Fez manobras circulares e também desapareceu por detras do mesmo morro… Não se ouvia mais o barulho do avião como também das pessoas que com olhos arregalados não entendiam o que havia acontecido! Pessoas saindo em disparada pela rua da cidade tomando direção ao Bairro Morro da Palha , pois alguém disse que o paraquedista havia caído por lá! Foi um momento dramático, a partida de futebol foi anulada quando a notícia chegou! O paraquedista teve sua morte confirmada e sua queda se deu exatamente em cima de uma grande pedra negra situada um pouco além do referido bairro.

Anos mais tarde, novos saltos de Paraquedistas em Mimoso 1975, o 2º da esquerda -para direita o Mimosense Sinval

Anos mais tarde, novos saltos de Paraquedistas em Mimoso 1975, o 2º da esquerda -para direita o Mimosense Sinval

Muito se falou sobre esta tragédia… Uns dizem que foi por erro de cálculo, defeito técnico do equipamento, ou a premonição desta mudança na data da festividade. Em depoimento dias depois um dos Paraquedistas o Mimosense Valdir Piedade, disse que ele seria o primeiro a saltar, mas o 2º Sargento Geraldo Vidal, lá mesmo dentro do avião disse que saltaria primeiro e que o Valdir seria o último, pois já que era festa de Mimoso a emoção maior ficaria para o filho da terra no último salto!

Valdir ainda disse que a situação dentro do avião foi dramática, pois nós dentro do avião lá em cima sabiamos da gravidade da situação mesmo não estando perto para ver… “Nossa experiência em saltos logo deu o diagnóstico. Foi Uma fatalidade!!!” disse ele. Infelizmente voamos para Campos e só após tomamos conhecimento oficial do ocorrido!

Com o tempo a planta trepadeira tomou conta da cruz.

Com o tempo a planta trepadeira tomou conta da cruz.

 

Com relação ao outro paraquedista Mimosense que lá estava no avião, carecemos de informação a respeito sobre sua identidade, segundo comentários, seria o Sinval que mais tarde se casaria com a Bety Biondo. Tanto o Sinval quando o Valdir, já faleceram de morte natual. Mas o que se sabe mesmo é que uma cruz marca o local da queda e está lá para que todos se lembrem deste dia fatídico tão dramático em nossa história.

Paraquedista em salto bem sucedido descendo no Campo do Ypiranga, ao fundo o Morro Pratinha

Paraquedista em salto bem sucedido descendo no Campo do Ypiranga, ao fundo o Morro Pratinha

Por: Renato Pires Mofati
Colaboração: Gerson França

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