Enfim, o que é essa tal de Psicanálise? (Por Roney Moraes)

Freud

 “Conhecemos o que Freud fez com a literatura. Nos artistas ele viu seus precursores e nos textos literários, a oportunidade de validar o método analítico. De Sófocles a Goethe, passando por Jansen e Dostoevisky , Freud encontrou na ficção uma antecipação do inconsciente…”, Jacques Lacan.

Por Roney Moraes

Jornalista, Teólogo, Psicanalista

No dia do psicanalista, comemorado mundialmente em 06 de maio, não poderia deixar de prestar uma singela homenagem aos agentes atuantes nesta área tão eclética e controversa que há mais de um século vêm construindo a clínica pautando-se na ética, responsabilidade e, sobretudo, no compromisso com a terapia psicanalítica e sua difusão. Mas, enfim, o que é essa tal de psicanálise?

Já utilizei a teoria psicanalítica, aqui neste espaço, para divagar (e sempre) sobre vários assuntos. A Psicanálise preenche um espaço singular na minha vida e, por isso, na condição de psicanalista, tenho a obrigação de difundi-la, sem, é claro, desmerecer outras abordagens psicológicas.

A clínica psicanalítica busca algo além de uma “cura”, a transformação da pessoa, a partir da compreensão dos seus problemas. O paciente fala tudo que vem à cabeça; cabe ao psicanalista interpretar de forma incisiva o que ele quis dizer inconscientemente, ajudando-o no autoconhecimento.

Então, podemos dizer (trocando em miúdos) que a Psicanálise, de acordo com a Associação Brasileira de Filosofia e Psicanálise (Abrafp), é um método desenvolvido pelo médico neurologista alemão Sigmund Freud para tratar de distúrbios psíquicos por meio da investigação do inconsciente.

Alguns formadores afirmam que só quem foi analisado pode analisar seus pacientes. E, alguns cursos têm a duração de dois a três anos, tendo o profissional que continuar sua capacitação o resto da vida. É fascinante.

O interesse pelos processos de investigação do inconsciente me levaram a compreender que um psicanalista, de fato, nunca está pronto. Está sempre em movimento buscando  conhecimento e, para conhecer algo é preciso vivenciá-lo, então ingressei na Psicologia. Acredito que me aprofundar na ciência que estuda o comportamento humano e seus processos mentais está dentro do meu conceito de lógica.

Em síntese, a integração das experiências, decorrentes da prática psicoterapêutica psicanalítica e dos estudos acadêmicos em psicologia, me parecem contribuir muito no crescimento pessoal, intelectual e clínico, apesar da polêmica problemática do ensino da  Psicanálise.

A psicanálise está (e sempre esteve) na clínica. Talvez em função de uma padronização na transmissão apartou-se da extensão de suas possibilidades. Por isso, há necessidade da ampliação do seu ensino.
E, como a Psicanálise está cada vez mais ligada ao ambiente acadêmico, é lá que encontramos sustentação teórica para a prática clínica, a universidade também se apropria do que, na verdade, não é de ninguém. É patrimônio universal da humanidade.

*Presidente da Associação Psicanalítica do Estado do Espírito Santo (Apees) e do Instituto Brasileiro de Psicanálise (IBP/Inape).

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