A troca dos cromos (Por Roney Moraes)

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“Há momentos na vida em que algo parece nos dar a chave da felicidade, mas troca a fechadura antes que consigamos abrir a porta”, Ivo das Chagas Filho

Por Roney Moraes

Jornalista, Psicanalista e Teólogo

Colecionar, trocar e colar as figurinhas da Copa do Mundo é velha/nova mania nacional. Acontece em toda competição. Pais torcedores presenteiam seus filhos com os álbuns e juntos vão à caça. De banca em banca. À procura das figuras que faltam para completar a coleção. Já vimos antes, mas agora é diferente. Por vários motivos.

Primeiro pelo fato da Copa do Mundo acontecer no Brasil. É comum encontrarmos, nos fins de semana, principalmente, bancas abarrotadas e famílias inteiras organizando escambo de figurinhas. Já até impregnaram valor aos cromos. Por exemplo, um do Neymar vale dez de qualquer outro jogador.

Outro fator interessante e diferente das edições anteriores dos álbuns é que a internet proporcionou um acréscimo na partida. Muitos marcam encontros, via redes sociais, para trocarem figurinhas e, por isso, completar o álbum só não é mais fácil porque a procura é maior do que a oferta. Encontrar pacotinhos para comprar nas bancas nos fins de semana é quase como achar agulha no palheiro.

Além das redes sociais, há a novidade do álbum online. Já existe um aplicativo grátis que permite trocar figurinhas virtuais com torcedores de todo o mundo. Também é possível criar grupos de colecionadores, abrir pacotes, e trocar e colar as figurinhas virtuais. O aplicativo é integrado à versão web do álbum e está disponível para Android e iPhone.

O grupo “Álbum de Figurinhas da Copa do Mundo” no Facebook, que já reúne mais de 14 mil participantes e dezenas de endereços com pontos de encontro para trocas no Brasil todo, até recomenda conduta na hora das trocas.

Para o psicanalista Carlos Magno Perin, há uma analogia entre coleção de cromos e a coleção de emoções. Imaginar que as emoções sejam como “figurinhas” que se colecionam é útil para compreender melhor como as carícias ativam nossas emoções e como essas emoções são colecionadas e agem sobre a pessoa.

“Todos nós colecionamos emoções preferidas. Alguns colecionam emoções positivas (bondade, alegria, gratidão, amor). Outros colecionam emoções negativas (vergonha, medo, inveja, raiva, orgulho, ressentimento, culpa)”, diz Perin no artigo Psicanálise – Coleções de Figurinhas (1).

A tecnologia, com todo seu arsenal, não se compara ao encontro pessoal. Ao prazer de abrir o pacote e encontrar as que faltam, sem falar na troca tête-à-tête e ver, no rosto de uma criança ou adulto, o preenchimento da lacuna no livro ilustrado. Do que antes estava vazio.

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