Texto de Airton Coimbra: A hora de crescer é agora!

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Muito se fala da grandiosidade de nossa Festa Magna e do igualmente famoso Festival de São Pedro. Porém, da maneira que ambos os eventos são realizados não há uma efetiva geração de renda e um correto aproveitamento das potencialidades de nossa cidade e de nosso povo. Já passou da hora de percebemos o quanto nossa cidade é pobre. Em todos os sentidos.

Inicialmente, medidas simples, porém altamente eficazes poderiam ser adotadas para que o município retivesse os recursos gastos pelos turistas, de forma a elevar o nosso ‘PIBinho’. Em minha humilde opinião, elenco:

– Barracas de alimentação e bebidas: Ficariam exclusivamente a cargo das entidades organizadas da sede e demais distritos, como associações e entidades beneficentes que tiverem interesse em apurar fundos, bem como de empreendedores de nossa cidade, devidamente cadastrados. Já passou da hora de entendermos que os ‘barraqueiros’ de fora apenas arrecadam nosso valioso suor e levam para outras cidades.

– Barracas de vestuário, eletrônicos e demais: Passear pelas quase ‘inocentes’ barraquinhas, apesar de nostálgico, esconde uma gama de atividades que prejudicam o comércio e a geração de empregos local, como exemplo a pirataria, a concorrência desleal, a sonegação entre outras. Uma solução que agradaria a muitas pessoas seria uma liquidação na semana da festa, onde os lojistas de nossa cidade, contagiados pelo clima festivo, ofertariam seus produtos com bons descontos, podendo ainda e, porque não, fazer um feirão, juntamente com os artesãos e produtores locais, em estandes próximos ao local da festa, relembrando as barraquinhas, só que desta vez gerando empregos e mantendo o ‘dindin’ na nossa praça;

– Shows: Gastar rios de dinheiro com artistas de grande porte, além de arrebentar os cofres do município, enriquecer empresários e favorecer propinas, entope nossa cidade com um turismo ruim, que é aquele que não deixa nada, apenas leva. Precisamos de mais arte e cultura e menos exploração. ‘Nossa! A rua estava lotada’… E daí? Qual a graça de ir num local onde não se pode caminhar, comer, beber, encontrar os amigos e se divertir com segurança? Temos que aprender a gostar do que é bom. Não sou contra grandes eventos, porém eles devem ser feitos para favorecer nossa cidade e não para nos empobrecer ainda mais.

Radical demais! Com certeza não. Vamos refletir! Não custa nada!

E a tradição? Tradição de ficar agonizando na lama sem saber para onde ir? Essa tradição não presta. Toda cidade séria e consciente transforma estes eventos em grandes geradores de renda e emprego, dignificando seu povo através da melhora da qualidade de vida, do fortalecimento do associativismo, da valorização cultural e consequentemente de um desenvolvimento consistente e duradouro.

Na Festa da Polenta, que ocorre todo ano no mês de outubro em Venda Nova do Imigrante, aqui pertinho, milhares de pessoas pagam (e bem), sem reclamar, para ver um tacho de angú. O valor arrecadado ajuda as entidades do município. Em Brejetuba, o simples coar de um café arrasta uma multidão de turistas ávidos por gastar o seu rico dinheirinho. Com isso, conseguiram o título de ‘Maior café do Mundo’. Feiras literárias atraem milhares de pessoas em várias cidades Brasil afora. Coisas simples, bem divulgadas e organizadas. Ainda não aprendemos a valorizar nossa cultura italiana. O agroturismo não existe. Nossas belezas estão escondidas.

É triste ver São Pedro do Itabapoana abandonado fora da época do festival. O que está errado? Ou vai falar que você nunca experimentou o delicioso e exclusivo ‘San Jaleco’, que só existe em São Pedro? Eu também não! Pense.

Espera-se que essa mudança ‘brote’ da vontade popular, mas é inegável que o interesse político é o grande semeador. Nossa cidade nunca cultivou o empreendedorismo, em razão de seu passado amarrado aos pés de café, que acabou criando uma geração dependente do assistencialismo e extremamente subjugada.

Cabe a nós acordar e mudar, afinal, não podemos continuar definhando. Chega de jogar confete fora. Chega de fazer festa para os outros.  A hora de crescer é agora!

TEXTO: Airton Coimbra

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