Em pleno Festival a sanfona é desvalorizada

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TEXTO E FOTOS: Renata Mofatti

O Festival de Inverno de Sanfona e Viola de São Pedro do Itabapoana existe há 17 anos. Muito tempo, não é? Mas o músico Sebastião Faber, o morador de São Pedro, aquela pessoa que sempre recebe a todos com muito carinho em sua residencia e é presença garantida na praça e ruas do distrito com a sua sanfona antes mesmo de existir o festival, neste ano de 2014 não vai tocar.

A indignação parte daqueles que conhecem a essência do Festival, daqueles que durante as tardes acompanham a Roda de Sanfona e Viola, e principalmente dos amigos, familiares e amantes da música de raiz.

Num desabafo emocionado, a filha do músico, Liliane Fabre, contou ao Site Mimoso In Foco que os organizadores do Festival deste ano simplesmente desvalorizaram o valor da sanfona e a presença de seu pai. “Meu pai tem setenta anos, e só de experiencia com a sanfona são cinquenta anos. Ele é profissional no que faz e acima de tudo ama São Pedro do Itabapoana. A proposta que os organizadores o fizeram é uma forma de simplesmente dizer: não queremos que ele e sua equipe se apresentem”, desabafou.

Liliane informou que foi oferecido ao seu pai e a equipe que compõe a roda de sanfona, formada por seis pessoas, o valor de R$ 900,00. “Nesse valor, meu pai teria que pagar aos músicos que o acompanham, fazer todo o repertório, ensaiar, ele não sai e simplesmente coloca a sanfona nas costas, ele não brinca de música, ele se prepara, se dedica para fazer o melhor e participar com o povo. Achei uma grande desvalorização ao profissional que ele é e o grupo que o acompanha é fiel e de muitos anos”, disse.

A outra filha do sanfoneiro, Giovana Fabre, que canta com o grupo e se apresenta há muitos anos está consternada com o fato de não se apresentar e não levar a frente essa tradição que é a cara do Festival.

Pedro Henrique Fabre, neto do sanfoneiro, que tem se destacado cada vez mais no cenário da sanfona e já recebeu muitos títulos com o instrumento também não entende a falta de continuidade daquilo que dá certo. Ele irá se apresentar no tablado e concorrer a premiação, porém, assim como seu avô também não irá se apresentar na Roda de Sanfona e Viola.

Segundo familiares essa medida arbitrária é muito mais do que o valor material, mas é o intangível, o sentimento, aquilo que irá se perder, a essência, a tradição, é a tristeza de saber que uma história de 50 anos dedicada também a música se perder.

Entramos em contato com Sandra Pedrosa, do Rio de Janeiro, visitante do Festival desde o início e que sempre acompanha a roda de sanfona e viola. Muito triste ao saber da notícia, Sandra comentou: “Festival sem a presença da Roda de sanfona e Viola com Sebastião Faber não tem graça. Não estou desmerecendo de forma alguma os outros músicos pois todos são de muita competência, mas não valorizar Sebastião Faber é ignorar as raízes do distrito. saio do Rio de Janeiro para prestigiar o Festival, mas sei que quem agrega a alegria, quem é receptivo, quem nos anima mesmo é o amigo Sebastião Faber”, finalizou.

Mas para aqueles que amam fazer parte da roda de sanfona e viola, o convite da família de sebastião Faber é para que os turistas, mimosenses e são pedrenses visitem a residencia do músico, localizada após a “Associação Faber”. “Lá teremos muita música, alegria e contaremos com a presença dos amigos”, convidou Liliane.

TEXTO E FOTOS: Renata Mofatti

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RODA DE SANFONA E VIOLA NO DISTRITO DE SÃO PEDRO

 

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