Crônica de Michelle Medeiros: E por onde anda o amor às causas perdidas?

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É impossível ver as pessoas falarem do caso da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, presidida pelo Pastor Feliciano e se conter em dar uma opinião, as pessoas estão falando, em sua maioria, o que não sabem. Compraram uma ideia pronta e ficam repassando para frente.

A indignação das pessoas que leem e acompanham vai além do caso de homofobia, no qual ele responde a processo, este homem também responde ao crime de estelionato e racismo, e ainda há fanático que o defenda!

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As coisas se inverteram, agora ele é um pobre coitado que sofre um discurso de ódio pelos gays… Não gente!!! Não é nada disso, ele sofre as consequências de usar da religião para falar o que bem quer e dividir o mundo entre certo e errado, por isso a revolta de muita gente. Ele disse que a AIDS é “o câncer dos gays”, por favor, todos nós sabemos que essa doença infelizmente atinge a todas as camadas sociais, a todos os grupos sociais e econômicos, e que ninguém sabe dizer com absoluta certeza a sua origem, podendo ser através da relação sexual de humanos com animais, ou da promiscuidade, ou até mesmo, numa das teorias da conspiração, um vírus criado por uma grande potência.

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Um à parte, sobre o que ofende tanto a ele sobre os gays, quando se fala de união civil dos homossexuais, se fala baseado em um estado laico, ele ali na comissão faz o papel de um político e não de um pastor, ninguém quer obrigá-lo a casar homens ou mulheres na igreja dele, querem o direito perante o Estado de ter garantias sobre uma união estável, mediante os bens, heranças, etc; respeito a sua opção sexual, mesmo porque não é da conta de ninguém com quem um homossexual se relaciona, e acima de tudo, é papel do presidente desta comissão lutar para que homossexualidade não seja confundida com pedofilia.

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Outra preciosidade que este homem disse foi que: “A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre o continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!”. Bem então neste caso, somos todos desgraçados, porque todos aqui no Brasil têm origens africanas no seu DNA, e só para lembrar, o “pastor” é tão estudado e bem preparado que falou asneira, se alguém aí tivesse uma maldição seriam os palestinos e não os africanos, porque eles são os descendentes de Canaã (faltou foi aula de teologia, ou será que ele nem estudou para ser pastor?).

As minorias étnicas sofrem até hoje à custa do processo histórico, afrodescendentes em sua maioria pobres, não são pobres porque querem, ou não trabalharam, mas porque muitos direitos lhe foram negados neste processo, no Brasil os negros não foram libertos, foram expulsos das fazendas, não adianta poetizar o horror que as pessoas que nos antecederam viveram, é fato, temos que tentar remediar.

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Sobre o caso do estelionato, que ele agora responde na esfera federal, o honrado senhor simplesmente marcou dois shows no mesmo dia e hora, sendo um no Rio Grande do Sul e outro no Rio de Janeiro, entenda, não só marcou como recebeu adiantado pelos dois e não compareceu a um deles, bem SE inocentado, mostra que ele e sua equipe são irresponsáveis porque no nosso mundo é assim que chamamos um descaso deste com a própria agenda de compromissos.

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Antes de defender temos que entender a história, esse homem conseguiu a presidência da CDH através de mais um dos ajustes políticos deste país, ele não é engajado em causa nenhuma além da própria. Vestir-se com a carapuça de homem de Deus é uma velha tática para angariar apoio popular, devemos estar sempre de olho nestas pessoas porque apesar de longe são eles que dão rumo à sociedade, e o que mais o mundo precisa hoje é de paz, de tolerância, de respeito ao próximo.

TEXTO: Michelle Medeiros

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