Política

Crônica de Michella Medeiros: Entre o Bom, Médio e Ruim

Domingo, 25 de Outubro de 2020 às 01:26

Por Redação in Foco

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Vejo as pessoas o todo tempo dizer que a opinião alheia não interessa, será? Por que num mundo considerado tão alheio a opinião e as demandas do outro, usamos tanto as redes sociais? Pra que debatemos tanto nas comunidades que essas redes nos oferecem?

Assistindo ao jornal, me peguei vendo uma pesquisa de opinião sobre política, e percebi que hoje o mundo se divide em Bom, Médio e Ruim. As pessoas discutem e debatem as questões das diferenças, da pluralidade, mas estamos presos a conceitos como BOM, MÉDIO e RUIM. Uma era em que desenvolvemos tantos conhecimentos, com tantos avanços tecnológicos, que é considerada como a era da INFORMAÇÃO, ainda avaliamos o mundo com algumas alternativas.

Certa vez vi uma entrevista com Bruno Barreto, (cineasta brasileiro), que foi casado com a ex-mulher do Steven Spielberg, ele narrava a dificuldade em fazer seu enteado entender as personagens dos filmes brasileiros. Ele alegava que a dificuldade estava nas diferenças culturais entre os norte-americanos e os brasileiros. Mas pensando bem, acho que o motivo era o conflito de gerações.

Achamos que em discursos inflamados estamos nos afastando do maniqueísmo, mas o que acontece é que nos afundamos em outro. Esse contexto das opções préviamente estabelecidas, não nos livra da eterna indução em quê devemos acreditar. Os valores nos são impostos em sorrisos, em grandes manchetes onde uns são execrados pelos seus defeitos, e outros exaltados massivamente pelas suas atitudes “cool” e em várias curtidas despretensiosas criamos um mito, para depois questionarmos as mesmas mídias que consumimos tão facilmente. Somos nós que aceitamos acordos e arranjos políticos como do Renan Calheiros, é fácil execra-lo aqui, longe dele. A todo instante vemos arranjos e fantoches políticos e nos calamos, pois estamos perto demais para apontarmos. Não questiono a posição louvável do cidadão que crítica a onda Calheiros, mas vejo a inconsistência nas ações, estagnamos na retórica.

Usamos da democracia como uma guerra tática que acontece de 4 em 4 anos. Uma espécie de prática esportiva, onde vale tudo período eleitoral, os fins justificam os meios. O final do jogo ou a temporada é a apuração dos votos, quem perdeu vai para segunda divisão, o técnico e os jogadores que são banidos do clube, porém haja o que houver, a diretoria continua…pode isso Arnaldo? a regra é clara, a ações políticas são para todos, não adianta nos portarmos como torcedores de um time que ganhou ou perdeu o campeonato, temos que continuar apoiando e fazendo a cobrança aos gestores e líderes políticos.

Estamos presos nos pólos de bom e ruim, a diferença é que hoje acrescentamos a receita o “Modo Incrementar” que seria o médio. Ficamos a espera de um mundo melhor e pronto, fazemos das nossas decisões receita de macarrão instantâneo, colocou na panela se em três minutos não ficar pronto, sentenciamos que ele não é bom. Peça para alguém para te definir em Bom, Médio ou Ruim, aposto que você terá uma justificativa de que é feito de vários atos, portanto, você não pode ser ruim. Queremos aceitação a qualquer custo, não aceitamos críticas, por isso que a opinião alheia não interessa.

Não podemos usar da mesma receita toda vida, temos que entender que assim como Descartes e a terceira Dimensão em seu plano Cartesiano, temos que aceitar, que somos mais profundos do que pensamos, que entre o bom e o ruim há um mundo de realidades que deveríamos levar em consideração. A moda mocinho e vilão não pode ser aplicada como avaliação política. E que nos aprofundar em nossas relações com o mundo, significa entender que as criticas virão e são em “n” vezes apenas mais um ponto entre tantos que temos…. esta negativa a negativa talvez seja apenas uma reação de uma ação, mas se transformou em um modo de abitolação que confundimos com qualidade de vida, e que esperança de um mundo melhor, não é feita em observar, ou em três minutos, nem muito menos basta torcer e ser fanático em um ideal… é uma construção de várias mentes, mãos e ações e o elo perdido do mundo melhor está no coletivo, no plural, não no singular do bem.

 

 TEXTO: Michella Medeiros

Colunista do Site Mimoso In Foco

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