História de Mimoso

Tragédia no último voo do “Capixaba” completa setenta anos

Sexta-feira, 10 de Julho de 2020 às 00:52

Por Redação in Foco

Terça-feira, 22 de janeiro de 2018, às 06h20

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Texto: Renato Pires Mofati

Fonte de Pesquisa: Fraga, Fragata, Fragou (Leandra Passini de Castro)

Biografia: Dirceu Cardoso

Fotos: Arquivo Renato Pires Mofati/Internet.

A população de Mimoso do Sul sabia – ao ver o reluzente e negro Chevrolet Fleet Master de 1947 estacionado em frente à residência do dinâmico Vereador Francisco Paiva Gonçalves (Morgado Gamboa), que algo diferente estava por acontecer.

Numa segunda feira, em 03 de janeiro de 1949, a agitação tomava conta de uma residência situada ao lado da Ponte para o Posto de Saúde. Malas eram colocadas no veículo e o calor mimosense de janeiro fazia suar as têmporas daquele vereador que elegantemente vestido com terno, chapéu e gravata se preparava para seguir viagem até a vizinha cidade de Muqui.

Lá encontraria mais três amigos: Onofre Fraga, o Prefeito Dirceu Cardoso e o piloto de avião Geraldo Tostes (este morador da cidade de Miracema (R/J).

Muqui havia inaugurado seu campo de aviação em tempo recorde e levou quinze dias para deixá-lo em condições de operar decolagens e aterrissagens de pequenas aeronaves. O avião “Stinson” inaugurou a pista fazendo viagens entre Vitória/Rio e Janeiro e Belo Horizonte/São Paulo. Muqui estava  em polvorosa vendo aquelas maravilhas voadoras passarem sobre a cidade.

Mas naquele 03 de janeiro, quatro passageiros estavam com seus lugares reservados no Aeronca – avião norte americano mundialmente conhecido e que fora batizado de “Capixaba”. Morgado Gamboa era o principal acionista da companhia aérea e acredita-se que a sua viagem com o amigo Onofre Fraga era para concretizar um grande negócio relativo a própria aviação.

Tudo estava pronto e era aguardada apenas a chegada do prefeito Dirceu Cardoso para embarcarem com destino a Vitória, mas um mensageiro chegou avisando que ele não poderia seguir viagem, pois como a mesma sofreria atraso de dois dias, ele tinha um compromisso para o outro dia na cidade e não poderia faltar. E assim… piloto e passageiros, cada um com duas maletas negras se assentaram naquela aeronave e o motor foi ligado. Uma multidão aguardava com ansiedade a decolagem que parecia normal como as outras que a antecederam.

A pista longa do campo de aviação de Muqui se estendia onde atualmente segue a Rodovia Muqui x Cachoeiro na antiga Fazenda dos Fraga. O Aeronca reúne forças, acelera seu potente mono motor ganhando giro, a aceleração provoca o tradicional ruído e a poeira levanta do solo provocado pelo vento da hélice. E aquela maravilha impulsionada cada vez mais para a frente começa a se mover ganhando velocidade! Da pequena janela, os ocupantes dão adeus aos que ficam em solo e e o avião levanta o nariz flutuando. Mas com menos de dois minutos de voo e a certa altitude o inesperado acontece… Ao fazer uma curva o aparelho começa a descer novamente, não numa trajetória normal para aterrissagem, mas com o bico apontado para o chão e em vertical ele se choca. Com os tanques cheio de combustível, ocorreu uma grande explosão com as chamas tomando conta de tudo.

No pasto da queda do avião havia alguns lavradores que ao perceberem a situação só tiveram tempo de deixar suas enxadas e correr para não serem mortos. Pessoas seguiram até o local da queda para tentar salvar os ocupantes, mas não foi possível. Todos foram carbonizados, enlutando as cidades de Muqui, Mimoso do Sul e Miracema.

O Aeronca Capixaba não estava no seguro, os passageiros levavam vultosas somas de dinheiro para proceder pagamentos e negócios na cidade de destino e as pessoas que estavam no local presenciaram pacotes e mais pacotes de notas sendo devorados pelo fogo.

O Dr. Dirceu Cardoso seria o quarto passageiro a embarcar e como não viajou pelo motivo alegado, ao saber do acidente, comentou ter nascido de novo.

Os ocupantes:

FRANCISCO PAIVA GONÇALVES – Mais conhecido como “Morgado”. Era filho do pranteado Gambôa e elemento de projeção em Mimoso, Muqui e Cachoeiro, pelo seu espírito empreendedor, pelo vulto de seus negócios, pelo boníssimo coração. Era vice Presidente da Câmara Municipal de Mimoso do Sul, e um de seus homens públicos mais eminentes. Grande entusiasta da aviação, era o maior sócio do “Capixaba”. Deixa viúva D. Darcília Klayn de Paiva e cinco filhos menores: Joaquim, Margarida, Maria Célia, Márcio e Ana Maria.

ONOFRE FRAGA: Filho da tradicional família Vieira Fraga, industrial e elemento de relevo da cidade de Muqui. Estimado por suas qualidades de caráter e coração. Era seu primeiro vôo em viagem, mas já voara sobre a cidade em um pequeno passeio aéreo. Foi um dos grandes sócios do E. T. A. C. Deixa viúva D. Vilhena Ferreira Fraga, e três filhos: Og, Walkiria e João. Todos menores de dez anos de idade.

GERALDO TOSTES: Com 24 anos, piloto do “Capixaba” era estimado em Muqui e Miracema (sua terra natal). Filho da tradicional Família Tostes, de grande projeção no norte do estado do R/J. Piloto de excelentes qualidades pelo seu critério e senso de responsabilidade, encantara a todos pelo seu trato, pela sua delicadeza, pela sua simpatia. Destacou-se em Minas durante uma grande enchente, prestando socorros as populações flageladas, voando com o ministro da Educação, Dr. Clemente Mariani, e demais autoridades. Morreu na flor da idade deixando inconsoláveis seus pais fazendeiros em Miracema.

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Veículo de Morgado

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Francisco Paiva Gonçalves (Morgado)

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Notícia da tragédia em jornal

Onofre Fraga

Onofre Fraga

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