História de Mimoso

Sexta-feira da Paixão Especial: Em Algum Lugar do Passado (Semana Santa)

Quinta-feira, 09 de Julho de 2020 às 23:57

Por Redação in Foco

Sexta-feira, 10 de abril de 2020, às 08h00.

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Por Renato Pires Mofati

Da janela olho para os mesmos montes mimosenses que meus bisavós, avós e pais viram e que agora eu vejo! Faço perguntas… Busco respostas! Me faço presente no ano de 2020 que certamente será contado daqui a 20, 30, 100 anos no futuro!

Peço àquele mesmo Cristo tais respostas e a esperança para todos nós! É mês de abril deste ano e o mundo, o meu mundo com tanta tecnologia se ajoelha a um inimigo quase invisível, minúsculo e traiçoeiro chamado “Coronavírus”. Mas este mesmo mundo já passou por muitos outros adversários perigosos como a Peste Negra, a Cólera, a Tuberculose, a Varíola, a temível Gripe Espanhola, o Tifo e mais recentes Sarampo, Febre Amarela, Malária e Aids… Muitos descobrimos a cura, outros convivem com eles e seguimos em frente.

Esta semana é um tempo especial onde depositaremos esperanças no criador de todas as coisas! E tentando desviar o meu pensamento do grande assunto que martela nosso subconsciente com o passar dos dias, sigo até certo local, retiro um empoeirado cobertor e lá está ela, do mesmo jeito que deixei a 01 ano atrás: a minha Máquina do Tempo! E este mesmo tempo me obriga a voltar ao passado, um passado de fé, resignação, benevolência e assim sento-me na sua cadeira, aperto o botão e num breve piscar de olhos volto sessenta anos atrás, exatamente no mesmo mês de abril.

Era uma sexta-feira e eu estava ali, em plena praça de nossa cidade, tudo calmo, tranquilo até demais!

Notei que havia algo diferente, já se passava da quarta hora após o meio dia, um silêncio tomava conta de tudo, podia-se contar nos dedos as pessoas que meus olhos podiam ver! Os comércios fechados, um céu carregado e rajado prenunciava um temporal, aliás, nem o canto dos pássaros se ouvia, a natureza falava por si. Algo estava acontecendo, era um momento verdadeiramente triste. De repente, ouvi alguns passos, me virei para a calçada da Arca de Noé e vi a figura bondosa e curvada vindo em direção à prefeitura, tratava-se do Sr. Luiz Schiavo acompanhado de sua esposa e da amiga Dona Cotinha Braga. Neste instante, uma voz suave chama o Sr. Luiz acenando com a mão, era Dona Marieta Abreu e Dona Odília Barreto para que juntos seguissem para algum lugar, e assim o fizeram tomando direção à rua do Dr. Lincoln. Eu estava ali parado, sozinho olhando o acontecimento, que foi quebrado pelo tradicional barulho de um antigo portão de ferro que se trancava, olhei rápido em direção de onde aquele som vinha e o vulto do Sr. Willian Moreira desapareceu nas dependências de sua residência.

Segui a passos rápidos até a frente do seu armazém que também estava fechado, curiosamente olhei para aquela nossa árvore que está na praça e percebi que seus galhos balançavam de um lado para o outro provocado por uma ventania forte que soprava naquele instante. Poeira, folhas e papéis se movimentavam pela rua seguindo o caminho do vento. Não chovia ainda. Relâmpagos e trovões quebravam o silêncio daquele momento estranho, protegi-me em baixo daquela marquise do armazém Moreira esperando a fúria da natureza se acalmar, mas foi ali que percebi o que acontecia. Havia um cartaz fixado na parede daquele comércio que dizia o seguinte:

Finalmente agora, tudo estava mais claro para mim. Ao voltar no tempo, vim parar exatamente na sexta-feira que marca a cada ano a morte de nosso senhor “Jesus Cristo” e todos os acontecimentos presenciados era a resposta ao momento de sofrimento, flagelo e morte que passava o nosso Salvador. Naquele tempo, este dia era guardado de tal forma, que tudo se modificava de verdade. Durante a quaresma praticamente não se consumia carne vermelha, que era substituída por peixe, na Semana Santa, as emissoras de rádio, mudavam seu repertório, a música popular era suspensa e assim ouviam-se cantos, hinos e contos bíblicos específicos para a ocasião.

Já na sexta-feira da Paixão, muitas pessoas não penteavam os cabelos, não varriam casas nem quintais. O uso de facas para cortar pães não era permitido, qualquer tipo de atividade era deixada de lado. No período da tarde daquele dia, todos se silenciavam, ficavam quietos, rezando, muitos jejuavam e às vezes a fome era saciada com o tradicional canjicão! O respeito era muito grande e eu estava ali naquele dia cheio de tradição, então segui junto a outro grupo de pessoas que também se dirigiam em direção da Rua do Dr. Lincoln, e que faziam parte: Dona Amenaide, Tia Mequita, Vovó Aracy, Dona Rosa Guarçoni, Dona Helena Rangel, Dona Darcilia, Dona Euzi Bruzzi e outras. E na seqüência daquela mesma rua se juntaram a eles a Dona Palmira e Sr. Antonio Leite, Dona Cecília e Seu Cristóvão. E assim seguimos todos juntos o nosso trajeto, passando primeiramente pela ponte do Camelo, toda em madeira e bem estreita, atravessamos à área do local conhecido por “Mangueiras” que era a extensão do pomar da casa da Amelinha Leite, com o chão batido e víamos apenas os fundos de residências. Passamos pela casa da Dona Zizi, e finalmente chegamos à igreja.

Subi as escadas sob a gruta, ganhei novamente outra escadaria de frente à porta de entrada principal da igreja e me dirigi à sacada ao lado para puxar o ar e observar um pouco da parte de nossa cidade. Fiquei admirando por um bom tempo aquela enorme estrela com luzes acessas, em cima daquela pedra negra no morro da caixa d’água. Havia também um pouco mais distante a ela, um enorme cruzeiro de madeira, e junto a ele, várias pessoas se reuniam.

Ao entrar na igreja, notei que todos os Santos estavam cobertos por uma manta roxa, o que é tradição, e várias pessoas se ajuntavam em certo local dentro da igreja, e resolvi participar. Todos oravam em frente a imagem de “Jesus” deitado naquele esquife de vidro que me trouxe recordações do meu tempo de criança, das catequeses com Dona Marieta, e de quando fui coroinha. Eu ficava olhando para “Jesus” com todos aqueles ferimentos, magro, muito pálido, imóvel e não entendia direito porque aquela cena me deixava um pouco assustado e foi somente com o passar dos tempos é que entendi do que se tratava.

Após a encenação da Paixão de Cristo, realizada em frente à gruta, a procissão já se formava com grande participação de todos, pessoas com velas acesas nas mãos, outras com um objeto estranho e que somente após o início da procissão que fui saber do que se tratava: eram matracas que fazia um barulho estranho, sendo usada na tradição pelos sacristãos da igreja em procissão daquele dia.

Na semana Santa, ouvia-se no rádio contos de Cristo, e nos cinemas filmes bíblicos como O Manto Sagrado, Reis dos Reis, Espártacus, Os Dez Mandamentos, Ben Hur, El Cid, Sansão e Dalila que eram sinônimos de casa cheia!

De fato, é um período sério e único que todos devem guardar com respeito e dignidade por aquele que sofreu e deu a vida por nós!

PEÇA – ACREDITE – RECEBA

“Assim está escrito… E assim será”.

Segue junto a este texto, a cópia da Sentença e Processo de Cristo, existente no Museu da Espanha.

“No ano dezenove de Tibério César, Imperador Romano de todo o mundo, Monarca invencível na Olimpíada cento e vinte e um, e na Ilíada vinte e quatro da criação do mundo, segundo o número e cômputo dos Hebreus, quatro vezes mil cento e oitenta e sete do progênio do Romano Império, no ano setenta e três, e na libertação do cativeiro da Babilônia, no ano mil duzentos e sete, sendo governador da Judéia Quinto Sérgio, sob o regimento o Governador da cidade de Jerusalém, Presidente Grantíssimo, Pôncio Pilatos, regente da baixa Galiléia, Herodes Antipas, Pontífice Sacerdote. Caifás; magnos do Templo, Alis Almael Robas Acasel, Franchino Centauro; Cônsules Romanos da cidade de Jerusalém, Quinto Cornélio Sublime e Sixto Rusto, no mês de março e dia XXV do presente – Eu, Pôncio Pilatos, aqui Presidente do Império Romano, dentro do Palácio e arqui-residencia, julgo, condeno e sentencio a morte Jesus, chamado pela plebe – Cristo Nazareno – e Galileu de nação, Homem sedioso contra a Lei Mosaica – Contrário ao grande Imperador Tibério César. Determino e ordeno por esta que se lhe dê morte na cruz, sendo pregado com cravos como todos os réus, porque congragando e ajustando homens, ricos e pobres, não tem cessado de promover tumultos por toda a Judéia, dizendo-se filho de Deus e Rei de Israel, ameaçando com ruína de Jerusalém e do Sacro Templo, negando o tributo a Cesar, tendo ainda o atrevimento de entrar com ramos e em triunfo, com grande parte da plebe, dentro da cidade de Jerusalém. Que seja ligado e açoitado, e que seja vestido de púrpura e coroado de alguns espinhos, com a própria cruz nos ombros para que sirva de exemplo a todos os malfeitores, e que, juntamente com ele, sejam conduzidos dois ladrões homicidas, (Dimas e Jemas) saindo logo pela porta sagrada, hoje Antoniana, e que conduza Jesus ao monte público da justiça, chamado Calvário, onde, crucificado e morto ficará seu corpo na cruz, como espetáculo para todos os malfeitores, e que se ponha, em divergis línguas este título: IESUS NAZARENUS, REX IUDEORUM (Jesus Nazareno, Rei dos Judeus). Mando, também, que nenhuma pessoa de qualquer estado ou condição se atreva temerariamente, a impedir a justiça por mim mandada, administrada e executada com todo o rigor, segundo os Decretos e leis Romanas, sob as penas de rebelião contra o Imperador Romano. Testemunhas de nossa sentença. Pelas doze tribos de Israel: Rebaim Daniel, Rebaim Joaquim Banicar, Babasu, Laré Petuculani. Pelos Fariseus: Bulliniel, Semeão, Ranol, Babbine, Mandoani, Bancurfosse. Pelos Hebresu: Matumberto. Pelo Império Romano e pelo Presidente de Roma; Lúcio Sextilo e Amácio Chilicio.

Até o próximo!
Renato Pires Mofati.

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