História de Mimoso

ESPECIAL HALLOWEEN: O estranho cemitério de São Miguel

Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020 às 02:47

Por Redação in Foco

Segunda-feira, 31 de outubro de 2016, às 17h30.

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Desconhecido pela maioria das pessoas, o cemitério guarda precioso valor histórico, cultural e misterioso.

 

 

TEXTO E ARQUIVO FOTOGRÁFICO: Renato Pires Mofati

Este cemitério pertencente às terras da antiga fazenda Palestina, se trata de um dos mais antigos de nossa região.

Sabe-se que as terras da própria fazenda cobriam uma extensa área, que tinha a denominação de “Ciza” e que abrangia desde os altos morros do São José até a baixada de Dona América e região.

uportãontitledA localização exata deste campo santo torna-se enigmático sob vários aspectos, pois seu local fica distante de qualquer contato, seja ela com a própria sede da fazenda, estrada, vila ou cidade… A estrutura do referido cemitério, foi construído dentro de certo planejamento, gasto e aprimoramento. Dos seus 450 m2 percebe-se a qualidade empregada, onde os limites são cercados por uma muralha de 01 metro e meio de altura todo em pedras do mesmo tamanho ajuntado por uma espécie de massa (areia, barro e liga especial) que desafiou e desafia as intempéries da natureza.

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As sepulturas existentes constam com os seguintes sobre nomes: Gomes, Paiva, Menezes, Souza, Serafim, mas o que desperta a atenção é a grande quantidade de sepulturas menores provavelmente de crianças, com datas anteriores a 1860, totalizando mais de 150 anos de existência! A entrada principal nos mostrava um enorme portão trabalhado de metal, mas foi roubado! O grande cruzeiro em granito inteiro é destaque e marca o lugar.

Um fato bem curioso é com relação à chegada neste cemitério, onde tomamos como referencia o seguimento e descida do rio Muqui do Sul, e quando se aproxima dele, nossa atenção se volta para o barulho de uma cachoeira juntamente a uma esplêndida visão de um vale situado a alguns metros abaixo, tal contemplação nos obriga a esquecer momentaneamente o verdadeiro propósito de nossa visita que é o cemitério de São Miguel, que esta exatamente as nossas costas! Causando assim uma mistura de espanto e admiração!

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Ao fazermos uma analise sobre a construção deste cemitério verificam-se sepulturas datadas em 1845, antes mesmo do surgimento do núcleo de São Pedro do Itabapoana, e assim nos deparamos com uma situação embaraçosa, pois é de nosso conhecimento que os primeiros posseiros e desbravadores de nossas matas, aqui chegaram por volta de 1837 conforme esclarecimento feito pelo escritor e poeta Grinalson Francisco Medina em seu livro: “Páginas de Nossa Terra” E assim nos perguntamos: Quem construiu este cemitério? Como foram trazidas as pessoas para serem sepultadas ali? De onde vieram? Qual finalidade? Eram escravos? E os nomes conhecidos de famílias? Porque tão distante de tudo e de todos? Se não existia nada por aqui! Este é mais um mistério que envolve e faz parte de Mimoso do Sul.

Para se chegar ao cemitério: Seguir pela estrada “Caminhos do Campo” com destino a São Pedro do Itabapoana, antes da sede da fazenda Palestina entrar à esquerda por uma estrada de chão passando pelas casas dos assentados e seguindo em frente tendo como referencia o rio Muqui do Sul, adiante pedir informação em casas de proprietários. Atualmente o acesso até o cemitério se da através de estrada transitável para carros e motos. Maiores informações com o Sr. Célio Miranda.

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Alguns comentários relacionados ao cemitério:

• Ficamos surpresos quando nos deparamos com esta construção antiga no meio do nada! (Sr. Célio Miranda e assentados)

• Tem pessoas que escutaram um barulho estranho e dizem que o lugar é morada de uma cobra brava e venenosa chamada “Pico de Jaca” (Celso Alves Figueiredo / Celso Motorista)

• Conheço e ando por toda essa região, mas neste lugar não gosto de vir sozinho! (José Antonio do Nascimento-morador antigo da Palestina)

• Como conseguiram e trouxeram essas pedras do mesmo tamanho para construir essa muralha! (Sra. Coqui/assentada)

• O corte no granito desse cruzeiro é perfeita! (Norico Mofati quando lá esteve em 2006).

• Toda vez que olho as fotos que tirei desse cemitério, me arrepio! (Rosangela Guarçoni / Historiadora e Sec. de Cultura)

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