História de Mimoso

Cinema de Mimoso do Sul completa 123 anos de história

Sexta-feira, 10 de Julho de 2020 às 01:02

Por Redação in Foco
Quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019, às 13h45.
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Por Renato Pires Mofati

Não poderia iniciar este texto de outra forma, ou seja, lembrando a todos do título deste filme protagonizados pelo ator Christopher Reeve e pela atriz Jane Seymour  “Somewhere in Time” (Em Algum Lugar do Passado). E está mesmo no passado toda a história de criação da sétima arte (Cinema).

Foi em dezembro de 1895 na cidade de Paris (França) que os irmãos Louis e Auguste Lumiêre fizeram a primeira sessão de cinema no mundo. Desde a invenção da fotografia por Niepce e Daquerre em 1837, foram várias experiências colocando uma foto atrás da outra, tentando dar movimento de ação, mas foi Thomas Edison, que viveu entre 1847 e 1931, que conseguiu uma primeira seqüência de imagens, acionando um aparelho, o cinestoscópio, produzindo ação. E só ele permitia que uma pessoa por vez visse as imagens em outra tela, onde o desafio era projetar essas imagens de modo que várias pessoas pudessem vê-las ao mesmo tempo. Isso é o que fizeram os irmãos Lumiêre.

Em breve relato, vamos contar a evolução do cinema através dos tempos… O primeiro filme a ser produzido chama-se: ”A chegada do trem na estação” que se constituía apenas de movimento acelerado, homens caminhado na rua, um trem em movimento e um banho no mar. Já em 1898, surgiu o Pathè na França, depois nos EUA e Alemanha.

Os primeiros filmes chamados “Pastelões” eram sempre do mesmo jeito, perseguições usando bondes, os primeiros automóveis, tudo entremeado de tortas e cremes lançados na cara dos artistas que eram: Mack Sennet, Harold Lyold, a dupla Laurel e Hardy (O Gordo e o Magro). Mas o maior de todos os artistas dos primeiros tempos foi Charles Chaplin, o “Carlitos” em filmes como: O Garoto, Luzes da Ribalta, e o Grande Ditador que o imortalizou e entrou para a história. Até então os filmes eram mudos e somente em 1927 os estúdios da Warner Bros industrializou o primeiro filme falado: “O Cantor de Jazz” de 1927.

Daí em diante a coisa engrenou e em pouco tempo o mundo conheceu o camundongo Mickey Mouse, seus criadores foram Walt Disney e Ub Imerks, que com enorme sucesso, criaram um estúdio só para fazer desenhos animados, daí surgiram: Branca de Neve, Pinóquio… Na época surgiu o Gato Felix, Popeye, que já existiam em quadrinhos antes de aparecerem nas telas.

Da criação do cinema lá na Europa para esta pequena cidade chamada Mimoso do Sul, muita coisa aconteceu e o cinema daqui também tem sua história, e é ai que eu entro contando tudo… Então me acompanhem, vamos lá!

Há relatos de que as primeiras projeções foram realizadas num antigo galpão de café situado próximo ao prédio do cinema atual. O japonês Kanegim Nakamura que realmente oficializou a coisa e ao lado de seu bar em frente à estação, os mimosenses assistiram a 7ª Arte ou a 8ª maravilha do mundo. Já por volta de 1940, um senhor vindo de Campos (RJ) que era conhecido pelo nome de Jarbas Maia trouxe junto a novidade para se instalar um cinema mais moderno, e então surgiu o “Cine Glória” que ficava próximo a Ponte do mesmo nome (atual Ponte do Albano). O cine Glória foi responsável pelas famosas matinês que ocorriam nos domingos as 14h00min, e muitos gostavam de sentar na torinha, (Madeira cortada em prancha como poleiros) E a criançada da época se emocionava com os seriados: Os Perigos de Nioka, Tarzan, Os Três Patetas, About e Costelo e outros… Já à noite o Cine Glória se responsabilizou em mostrar: Clássicos românticos, comédias e Faroeste. Um episódio ocorreu dentro do cinema, pois um dos telespectadores sacou uma garrucha Laport e gritou para o bandido que no filme covardemente batia no mocinho… E em outro momento, alguns da plateia saíram apavorados quando o trem em disparada passou sobre a tela na tomada de imagens, pensavam que iria atingi-los!

A última apresentação do cine Glória foi por volta de 1954 com o Filme “O Cangaceiro”. Vale lembrar que a gerência do cine Glória ficava por conta do Sr. Enes Cheibub e tinha como operadores o Sr. José Antonio Figueira e o Sr. Abdala. Bom… A dramática década de 40 (Época da 2ª guerra mundial)o mundo, as cidade praticamente pararam… Com o fim da guerra e desta década, a engrenagem novamente começa a se movimentar e aqui em Mimoso do Sul uma sociedade é criada para impulsionar o comercio, Educação, saúde… E o lazer!

E graças à determinação do Prefeito Sr. Rubens Rangel e a S/A Melhoramentos de Mimoso do Sul, é construído essa magnífica obra de nosso cinema, que recebeu o nome do padroeiro de nossa cidade e assim foi homenageado com o nome de “Cine São José”. Na sua construção foi atribuído o que de mais moderno existia na época, ainda hoje sua estrutura é atual, assim como as enormes luminárias em gesso no estilo sanca no grande auditório, utilização das máquinas de projeção Phillips importadas da Holanda, cadeiras para assento acolchoadas com 360 lugares numerados, tela panorâmica no melhor estilo “Cinemascop” Quem não se recorda da iluminação multicolorida? Assim como o tom musical “Gongo” nas mudanças das cores! As cortinas em veludo da cor vinho em cada porta dando requinte e sofisticação ao lugar.

Na entrada principal, após a bilheteria ficava a sala de espera, com cadeiras e eram ocupadas por seus freqüentadores assíduos como: Dr. Darcy Ribeiro de Castro e D. Maria Bruzzi, Sr. Geraldo Bruzzi e D. Euzi, João Luiz Bicalho Guimarães, Dr. Lincoln, Ary Siqueira, Professor Agnelo Portela, Ely Junqueira e outros. Já no ano de 1964, o Sr. Honório Mofati (Popular Norico) compra o prédio do cinema e assume a casa. Foi um período de enorme sucesso, devido aos grandes lançamentos de filmes de faroeste, e épicos bíblicos tais como: Ben Hur, Os Dez mandamentos, Sansão e Dalila, El Cid, O Manto Sagrado… Esses filmes eram garantia de casa cheia! A responsabilidade em fazer a divulgação dos filmes no cine São José, ficava mais uma vez por conta do incansável Sr. Enes Cheibub, e não da para esquecer-se das tabuletas em veludo que ficavam do lado de fora na parede do cinema, onde fotos e cartazes dos filmes escritos: ”Brevemente” eram destaques, tudo com o aval das gigantes Norte Americanas: Paramont Pictures, Fox, Warner Bros, Metro Goldwyn Meyer, Columbia… Que sucesso fizeram os filmes: E o vento levou… Os Brutos também Amam, Duelo ao sol, Tarzan o Magnícico,e é claro os nacionais do Mazzaropi, Oscarito, Anquito e Grande Otelo e os filmes da Atlantida.

Em 1972 o cinema foi vendido para um novo proprietário e no ano de 1976 foi desapropriado pela Prefeitura em processos das administrações Fernando Resende, Pedro José da Costa e Benedito Silvestre Teixeira. Neste período e depois, varias gerências se alternaram para o seu funcionamento e assim podemos citar: o extrovertido Degazito, O Sr, Odimir de Freitas Bastos, Paulo Cezar do Benedito, e por último o José Luiz Rizzo (Cotinho). Vale ressaltar a determinação do Sr. Enes Cheibub que muito fez em prol do nosso cinema, sem querer receber por seus préstimos, simplesmente por amor a arte e a cultura. Também não posso esquecer de falar daquele que se responsabilizou por inúmeras projeções que assistimos o saudoso Expedito (Sacolão) e seu ajudante Lúcio Meloni.

É isso, nossa história chega ao fim, assim também como o nosso cinema que ali está pronto para recebê-lo e levá-lo ao mais fantástico mundo da imaginação, da fantasia, aventura e ficção, mas que tem um filme triste anunciado como o título: “E o sonho Acabou!”

THE END

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