Coberturas

Família Mofati celebra 129 anos de Imigração Italiana

Domingo, 23 de Julho de 2017 às 07:39

Por Redação in Foco
Sábado, 13 de maio de 2017, às 18h45.
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Alegria do encontro dos descendentes de Benedetto e Valentina

Por Redação In Foco

Texto: Renato Pires Mofati

Fotos: Renata Mofatti

Foi num sábado de 2017, mais precisamente em 13 de maio, que membros da Família Mufatto (Mofati) celebraram os 129 anos de imigração italiana num festa regada a música típica, macarronada com fartura, mural de fotos, declamação de poesias, contos e muitas lembranças através de murais fotográficos e lembranças de “causos” antigos.

O local escolhido para reunir a turma foi na bucólica cidade de Muqui, Espírito Santo, na tradicional residencia, o Casarão de Osório e Eugênia, que por si só já traz lembranças memoráveis de um tempo que o tempo não esquece.

Para saber alguns detalhes da imigração italiana, da luta dessa gente guerreira publicamos um texto apropriado para a ocasião que pode servir também como objeto de pesquisas posteriores.

Dio Santo!

Vamos ao texto de Renato Pires Mofati:

O dia é 16 de julho de 1888 e as condições em Mirano, província de Veneza, não são das melhores. Após a unificação, a Itália passa por uma situação econômica muito difícil, fazendo com que o Rei Vitor Manoel II autorize a emigração Italiana para outros países, inclusive o Brasil. Lembre-se que o imperador Dom Pedro II era casado com sua prima D. Tereza Cristina (Princesa Italiana filha de Francisco I do reino da Sicília, e que muito interferiu para trazer os Italianos para o Brasil). Tudo culminou com extinção da escravidão em nosso país em 13 de maio de 1888, e a mão de obra escrava, principalmente nas lavouras, sofre um impacto muito grande. Assim chegaram os italianos.

Mimoso do Sul traz um forte traço da Imigração Italiana no Espírito Santo, que escolheu essas terras como sua segunda pátria. Evidentemente que muitos descendentes de italianos, assim como eu, tem sua história, sua recordação desses pioneiros que enfrentaram grandes desafios para um dia olhar para esta terra, os cafezais, o velho fogão à lenha, as antigas casas de colonos, seus filhos, netos e bisnetos e poder dizer: valeu mesmo a pena!

Mas… Voltando lá no passado, desde a partida no porto de Genova no vapor Ádria com destino ao Brasil, as miseráveis condições destes italianos durante a viagem de 30, 40 dias ou mais foram dramáticas! Depois de decidirem imigrar para o Brasil, quase sempre persuadidos pelos agentes de imigração, chegar até o porto era uma tarefa difícil e os dois portos credenciados para esta finalidade ficavam em posições geograficamente opostas, um ao sul (Nápoles) e o outro principal o de Genova (Norte) da Ítalia e que foi o responsável por mais de 80% de embarque de italianos rumo ao nosso país.

A ida até os portos era feita á pé, inclusive no rigoroso inverno europeu e envolvia aldeias inteiras. Esses imigrantes vendiam os poucos bens que possuíam, frequentemente chegavam ao porto vários dias antes do embarque por má fé dos agentes, combinados com taberneiros e estaleiros, que tratavam de abusar dos preços, e o lucro extra, era dividido entre eles, o italiano já saía sofrendo em seu país de origem.

Uma vez dentro do navio, o imigrante tinha que enfrentar uma viagem terrível: amontoados como passageiros de terceira classe. Não eram raros envenenamentos por comida estragada, mortes por epidemias e ondas de furto. Em 1888, em dois navios que transportavam imigrantes para o Brasil, O “Matteo Bruzzo e o Carlo Raggio”, 52 pessoas morreram de fome, e em 1899, no “Frisca” 24 morreram por asfixia. Não se podia ficar com os corpos nos navios e eles eram lançados ao mar… Imaginemos o sofrimento de parentes e outros! A base da alimentação era polenta, rosca e água, raramente era oferecida sopa. Cada descendente de imigrantes italianos tem as histórias daquele tempo… Muitos fatos foram contados pelos avós, parentes entre outros, os Muffato’s (atualmente Mofati), minha gente, tem a sua:

… Que ao seguirem atravessando o oceano Atlântico, a bordo do Ádria com aproximadamente 1.300 pessoas deveriam ir em direção ao Rio Doce, depois para a colônia de Santa Cruz. É importante dizer que esta colônia pertencia ao mesmo dono da empresa “Tabachi”: a grande responsável pela vinda dos italianos ao Espírito Santo.

Bom, mas com relação a chegada do meus antigos familiares, o trajeto da viagem em 1888 foi a seguinte: Primeiro tiveram que passar pelo estreito de Gibraltar (divisa dos continentes europeu e africano) que para eles era a porta de entrada no Oceano Atlântico. O navio fez escala para reabastecimento em Cabo Verde (Colônia Portuguesa), próximo a Dacar, capital do Senegal (África). Um fato curioso ocorreu, eles deveriam desembarcar no porto do Rio Doce, mas seguiram diretamente para Anchieta e de lá para o trapiche em Barra do Itapemirim que pertencia ao Capitão Deslandes e Manoel Ferreira Braga, e que antes pertencia ao Barrão de Itapemirim.

Na época de seca e baixa do navegável Rio Itapemirim, costumeiras embarcações de hélices e roda tinha sua função paralisada, apenas barcos menores levavam as malas do correio, mas em 1870 o Sr. Simão Rodrigues Soares, da Barra de Itapemirim resolve o problema da complicada e necessária navegação por aquelas águas com um novo vaporzinho: o “Três de Abril”. E foi neste barco que Paolo Muffato, Maria Cazzin, os filhos: Emília, Angelo, Bortolo, Rosa, Benedetto (meu avô) e Alessandro, oriundos da comuna de Mirano, província de Veneza, pela primeira vez pisaram no Brasil.

A Família Muffato se prepara então para seguir… Agora vamos imaginar o que foi essa viagem cuidando de seus 06 filhos, todos menores! Emilia, 13 anos, Angelo, 10 anos, Bortolo, 09 anos, Rosa, com 07 anos, Benedetto, 04 anos (esse meu avô) e Alessandro com apenas 02 anos. Pois bem, chegaram no Brasil em 8 de Setembro de 1888 e após se alojarem numa hospedaria em Cachoeiro de Itapemirim foram encaminhados a um cartório para fazerem seus documentos.

Muitos sobrenomes de imigrantes italianos foram modificados neste momento. Documentos expedidos da Itália para o Brasil foram perdidos, danificados, roubados durante a viagem e não foi possível fazer um correto preenchimento de dados, aliado a isso a pronúncia italiana não entendida pelos agentes do cartório, Muffato virou Mofati, Benevenuti virou Benevenuto, Bemvenuto, Guerzoni virou Guarçoni, Tungnoli virou Tunholi e assim por diante…

A história da imigração italiana em nosso Mimoso do Sul possui exatos 127 anos! Com a chegada destes primeiros colonos, que buscaram na cultura do café seu sustento, e que ao longo dos anos manteve sua tradição com sua comida: polenta, macarronada, pães caseiros, o tradicional Bijú, fabricação de queijos. Ainda hoje existe o forte traço deste povo principalmente na região de Conceição de Muqui, bastando apenas reparar o sobrenome de seus moradores.

Alguns dos mais conhecidos sobrenomes de descendênciaiItaliana no município de Mimoso do Sul: Benevenuti, Beloti, Gasperoni, Guarçoni. Rigoni, Tunholi, Marelli, Gandini. Morini, Santolini, Gaspari, Picoli, Malavoti, Talyuli, Nazari, Gaioti, Parrini, Mateini, Tabelini,Gaspareli, Menegussi, Rigueti, Mirri, Setimi, Prucoli, Peruzini, Zigoni, Venturini, Poldi, Meloni, Sarti, Zanni, Ogioni, Polati, Delabeneta, Astolfo, Bertonceli, Menequini, Viviani…

“Dispersos nos vales e nas zonas montanhosas da parte central do Estado, estabelecidos em várias localidades desde o norte do Rio doce, no meio das florestas que recobriam praticamente toda aquela zona, ocupando apenas parte do território produtor de café no setor meridional e distante dos principais centros de convivência, isto é, vivendo em um mundo isolado, é conveniente repetir que, sob muitos aspectos esses Italianos buscaram o Espírito santo com a esperança de começar uma vida nova, mais feliz… Foram esquecidos, é como se estivessem adormecidos e sua presença praticamente ignorada…”

FOTOS HISTÓRICAS:

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Fazenda Ubirajara (sede da Família Mufatto – Mofati)

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Tradutor Brasileiro ITALO GROSSI, responsável em legitimar a pronuncia Italiana em documentos importantes.

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Panfleto Imigrante

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Nascimento de Benedetto Muffato (Depois a forma Brasileira de ser escrever Benedito Mofati – Meu Avô)

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Italianos no navio

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Hospedaria dos Imigrantes

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Ruínas próxima ao Tapiche

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Senhor Benedetto Mufatto (Benedito Mofati)

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Navio com os imigrantes italiano

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Capa do Livro “A Imigração Italiana no Espírito Santo”

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Filhos de legítimos italianos: Honório (Norico) e Ludovino Mufatto (Mofati)

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Valentina Porcari Mofati, nacionalidade italiana

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Honório Mofati (Norico), filho de Benedito Mofati e Valentina Porcari Mofati.

Documento-autorizando-a-Imigração-expedido-pelo-REI-Umberto-d-Italia-com-nome-de-meu-Bisavô-Paolo-Muffato

Documento de nascimento de meu Avô Benedito original de Mirano (Veneza-Itália)

Documento-de-nascimento-de-meu-Avô-Benedito-original-de-Mirano-Veneza-Itália

Documento autorizando a Imigração expedido pelo REI Umberto d’ Italia, com nome de meu Bisavô Paolo Muffato

FOTOGRAFIAS DA FESTA DA FAMÍLIA MOFATI EM 13 DE MAIO DE 2017:

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